11 dicas: recém-nascidos

Se muitas vezes não é fácil para as mães que não estão no primeiro filho, imagina para as que estão! Muitas são as dúvidas e pouca a experiência! Muitas perguntas e poucas respostas, mas muita gente falando como fazia, como tem que fazer, da prima da vó da vizinha daquela tia de segundo grau. Resolvi colocar 10 dicas para as mamães que talvez se sintam um pouco perdidas com seus bebês recém-nascidos, pois somos nós também, nessa altura, mães recém-nascidas nesse mundo da maternidade!

#1 – Ninho

ninho coberto com lençol. Fonte: minhasdikas
ninho coberto com lençol. Fonte: minhasdikas

O ninho é feito com cueiros ou fraldas (ou qualquer coisa fofinha ao contato) que são enrolados em forma de cilindro/rolinhos e colocados juntos ponta com ponta formando um círculo, o “ninho” dentro do qual colocamos o bebê para dormir. É uma técnica usada em algumas UTIs neonatais com recém-nascidos (principalmente os prematuros) para simular o útero mãe e amenizar aqueles reflexos que os bebês têm em relação ao espaço novo – são pequenos espasmos dado ao novo local em que se encontram: no útero, tudo era apertadinho e quentinho, aqui a fora é muito amplo e espaçoso, ele já não encontra as paredes quando estica as mãozinhas e se assusta com isso. São como aqueles reflexos que temos quando estamos prestes a dormir e parece que caímos da cama, nada legais!

 

#2 – Charutinho

Outro jeito de fazer charutinho. Fonte: nossoprimeirobebe.com
Outro jeito de fazer charutinho. Fonte: nossoprimeirobebe.com

O charutinho tem a mesma intenção do ninho: manter o bebê com a sensação de segurança, calor e acolhimento que o útero oferecia, evitando os espasmos de amplitude. Estenda o cueiro quadrado na cama como se fosse um losango; dobre-o ao meio, formando um triângulo de cabeça para baixo; coloque o bebê no centro do triângulo (a base do triângulo, sua linha de cima, deve ficar bem em cima dos ombros do bebê) com os bracinhos juntos do corpo; coloque a ponta de baixo do triângulo pra cima das perninhas do bebê; enrole-o com o lado esquerdo, colocando essa ponta bem presa nas costas do bebê; depois enrole no lado direito, passando por cima do outro (como um kimono) e prendendo bem a ponta, para não soltar. Assim ele ficará quentinho e não se assustará com os espasmos. Mas atenção: não faça isso se estiver muito calor, bebês não têm uma temperatura tão diferente de nós! Também não adianta fazer isso por meses, quando o bebê já descobriu o espaço novo que tem e quer movimentar os braços e descobrir as mãos, assim você estará limitando e atrapalhando o seu bebê.

 

#3 – Nada de cortina na soneca do dia ou lâmpada acesa à noite

Fonte: maemequer.pt
Fonte: maemequer.pt

No útero não havia noite e dia, mas aqui fora sim! É uma novidade importante que deve ser apresentada com calma, criando uma rotina para o bebê entender que de manhã tem que tirar sonecas e durante a noite é que o sono é mais longo. Que de manhã tem luz e à noite é escuro. Portanto, nada de fechar cortinas e deixar tudo escuro durante o dia para o bebê dormir nem acender lâmpada à noite ou ele não vai aprender a diferença tão cedo e vai sim trocar a noite pelo dia (e vai sobrar pra mamãe!). Deixei a cortina aberta, deixe a luz natural. Isso não o impede de dormir. Pela noite, use um abajur fraquinho, só para você enxergar o suficiente aquilo que precisa fazer. Fale baixinho à noite e não fique neurótica com o silêncio pela manhã: ele precisa entender que de manhã se faz atividades e de noite se dorme. Lá pelos 2 ou 3 meses o bebê já vai ter entendido a diferença.

 

 

#4 – Móbiles em preto e branco são os melhores!

Móbile munari, da pedagogia Montessori. Fonte: Le jardin de Kiran
Móbile munari, da pedagogia Montessori.Fonte: Le jardin de Kiran

Recém-nascidos são funcionalmente cegos e enxergam imagens vultuosas. Primeiro, aprenderão a enxergar contrastes (2 a 3 semanas de vida, aproximadamente), especialmente preto e branco, que chamarão muito sua atenção; só pelos 3 ou 4 meses é que enxergam cores e começam a desenvolver noção de profundidade, foco, gradação, etc. Então não vale a pena colocar um móbile super colorido no berço do seu neném, não gaste com isso. Pode ser, simplesmente, inútil e entediante!

 

 

 

 

#5 – Cantar e contar histórias

Fonte: Revista Crescer
Fonte: Revista Crescer

O bebê conhece a voz da mãe desde o útero. Ainda que lá chegasse de forma diferente, ele saberá reconhecê-la do lado de fora (em conjunto com outros fatores, como o toque e o cheiro da pele e do leite). Ouvir a mãe é algo especialmente interessante e um santo calmante. Quando ele estiver nervoso, experimente aninhá-lo em seu colo e cantar para ele ou contar histórias. O canto e a contação de histórias empregam tons diferentes daqueles quando falamos corriqueiramente e isso soa simplesmente fantástico, uma novidade genial para os bebês! É diferente, mas é a voz da mãe! Já pensou que mundo louco?! Se a sua intenção é fazê-lo dormir, escolha uma música mais lenta, um ritmo repetitivo e calmo para embalar. Se é só distrair e brincar, algo mais animado pode servir. Dançar também é uma boa para passar o tempo, só evite passos muito rápidos ou estapafúrdios, podem trazer algum mal estar.

 

#6 – Banho de balde

Fonte: Gestação Bebê
Fonte: Gestação Bebê

Existem baldinhos próprios para bebês, os “ofurôs”. Mas se você não tiver, tudo bem, um balde de tamanho apropriado e que não tenha nada cortante ou incômodo servirá. Encha de água quentinha, à temperatura do corpo, e coloque o bebê para relaxar. É um santo remédio para cólicas e ótimo para relaxar antes de dormir, facilitará bastante. O baldinho também tem a intenção de imitar o útero: espaço reduzido, água quente, acolhedor, exatamente como o lugar que ele estava há poucos dias atrás! Só mantenha a cabecinha pra fora, viu? Por favor!

 

 

 

 

 

#7 – Nem água nem chá!

Fonte: mamãe coruja
Fonte: mamãe coruja

Bebês que mamam exclusivamente no peito não precisam de água até os 6 meses de vida. Seu leite contém absolutamente tudo que ele precisa. O organismo do bebê não está pronto para receber outras substâncias que não o leite até os seis meses, ainda está se desenvolvendo para a introdução de sólidos, e oferecer antes pode acarretar muitos problemas – e aqui não me refiro à água, ela é simplesmente desnecessária, mas sim aos chás. Cuidado! Receitam muitos chás para as cólicas, para acalmar, para isso e aquilo, mas esquecem que o que os bebês precisam é paciência e carinho: nem tudo são doenças, enfermidades e dores! Só estão se acostumando ao novo mundo e às novas sensações!

 

 

 

 

#8 – Crie uma rotina para o bebê

Fonte: mamiemais
Fonte: mamiemais

Criar uma rotina é importante para ele – que vai saber o que esperar do seu dia, o que vai acontecer e assim ir se acostumando – e para você, que tendo horários ficará mais livre para planejar seu tempo livre. Acordar, mamar, brincar, tomar banho, ouvir uma música e dormir: é um exemplo de rotina. Crie um ritual para o sono e ele saberá quando é a hora de dormir: quando você vai falando mais baixo, quando ele já tomou o banho, quando você conta a historinha. Isso não quer dizer que você deva fazê-lo dormir quando ele não quer (não confunda!), mas sim ajudá-lo a ter um horário, a saber o que vai acontecer e a se preparar para o dia que vai ter. Isso te dá uma liberdade impressionante, acredite!

 

#9 – Massagem

Fonte: Agda Bianco
Fonte: Agda Bianco

Quem não gosta de massagem? Os bebês também! Para eles, aliás, não é só uma questão de gostar, de relaxar, é de importância vital. Leboyer, antropólogo e escritor muito envolvido com parto e criação, falava que “a pele precisa do tato como o corpo precisa de alimento”. Aquele contato, o toque, o calor humano é imprescindível para o desenvolvimento físico, psicológico e emocional do bebê. A massagem é só um modo de tornar isso mais prazeroso. Use óleos vegetais (óleo de coco, amêndoas, girassol, alfazema ou outro de seu agrado) para untar as mãos e faça num momento de bastante calma e tranquilidade, estabelecendo uma conexão com seu bebê. Também é ótimo para fazer antes de dormir! OBS: aos interessados, indico o livro Shantala, de Leboyer. É um livro ilustrado que fala sobre a Shantala, a massagem para bebês usadas por um povo da Índia.

 

#10 – Cólicas

Fonte: carrinhodebebe.com
Fonte: carrinhodebebe.com

Chamamos de cólica todo choro que não sabemos explicar. É claro que pode ser gases, como pensamos na maioria das vezes. Retirar alguns itens da nossa alimentação podem diminuir isso: leite e derivados de lactose (queijo, iogurte, manteiga, margarina), feijão, chocolate; são alimentos que dão gases e provocam cólica. Mas pode não ser isso sempre. Lembro da minha doula me falando: “nem sempre tem explicação, crescer dói; às vezes não poderemos fazer nada além de sentar e chorar junto”. Entretanto, algumas coisas podem ser usadas para o alívio da cólica do bebê (se for essa a causa, não custa tentar): o já falado banho de ofurô; carregar o bebê de bruços sobre nossos braços; esquentar uma fralda no micro-ondas ou passar a ferro quente e colocar no pé da barriga (não muito quente, preste atenção!), são algumas dicas que substituem os “chazinhos” e remédios desnecessários que nos indicam para os bebês.

 

#11 – Cama compartilhada sem medo de ser feliz

Fonte: pinguinhodetinta
Fonte: pinguinhodetinta

Muitas mães caem no conto da Carochinha, aquela balela de deixar o filho chorar para se acostumar ao berço (isso não te soa a abandono? Não soa maligno? Não soa uma maldade sem tamanho para alguém que acabou de chegar ao mundo e só conhece você, precisa de você?). Berço, pra mim, foi a maior inutilidade do mundo. Virou aquela “cadeira da bagunça”, mas era berço. A cama compartilhada deixa a mãe descansar melhor, pois não precisa de tanta movimentação para amamentar de madrugada: acorda, vai ao berço, pega o bebê, senta, amamenta, põe no berço, volta pra cama pra dormir. O bebê já está ali ao seu lado, você só vira e amamenta. É um paraíso, até dormimos melhor por não quebrar tão bruscamente o sono. E ele? Ele com certeza se sente melhor sentindo o calor da mãe, o cheiro do leite, dormindo próximo da pessoa que mais ama. Existe uma teoria que se chama Extero Gestação. Fala que a gravidez humana deveria durar 12 meses para que o bebê pudesse, de fato, nascer bem desenvolvido. Somos os filhotes mais dependentes do reino animal! Entretanto, nosso corpo não aguentaria mais 3 meses. Como somos bípedes e pela nossa configuração do corpo, já estamos explodindo antes mesmo de chegar às 40 ou 42 semanas. Portanto, os 3 primeiros meses do bebê seriam como uma continuidade da gestação, mas aqui fora. Por isso é que ele é tão dependente da mãe. Por isso é que precisa tanto de carinho. Por isso tanta fome do toque, do calor, do acolhimento. Por isso é que se recomenda a cama compartilhada.

E vocês? Têm alguma dica para deixar para as mamães de primeira viagem?

Deixem nos comentários e agreguem à discussão!

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