Assimetrias da maternidade

Dizem as pesquisas, as más línguas e os estudiosos da estética que é a simetria que nos dá a noção de beleza. Quanto mais simétrico um rosto, mais perto da buscada “perfeição”. Apesar disso, as assimetrias são mais que comuns dos pés à cabeça: são parte da nossa natureza. Mas quando muito acentuadas, podem ser bastante desconcertantes e inibidoras. Então vamos falar das assimetrias da maternidade.

Parto

Para algumas mães, o primeiro medo do parto normal é que a vagina fique larga. É isso mesmo, não tem graça. Vagina larga. O parto normal faz isso? Verdadeiro ou falso?

FALSO. Parto normal não alarga a vagina. A parteira mexicana Naolí Vinaver, que já acompanhou mais de 3 mil partos normais, relatou que o períneo feminino volta ao seu diâmetro normal 30 segundos após o parto e as alterações visíveis que são observadas são: inchaço na vagina e vulva e vermelhidão pelo aumento do fluxo sanguíneo no local durante o nascimento do bebê. Mas esses últimos passam, são só consequências da recente passagem do bebê.

Idade deixa a vagina mais flácida, sim, como todo o resto do corpo; a episiotomia (corte no períneo, região entre a vagina e o ânus) pode dar essa sensação de flacidez (e inclusive causar algumas dores nas relações sexuais), porque compromete a estrutura muscular e nervosa do períneo. Mas parto? Parto não deixa a vagina “frouxa”, nem “larga”. Fiquem tranquilas que volta tudo pro lugar.

Como evitar: Como disse, vagina flácida não é uma consequência do parto. Entretanto, como a episiotomia (infelizmente) ainda é uma prática super comum nos hospitais, é sempre preferível esperar a dilatação total e ter alguma laceração por causa do bebê do que permitir a episiotomia que não tem nenhuma indicação científica de que realmente funcione. É possível fazer exercícios para fortalecer o períneo durante a gravidez, como exercícios de contração ou massagem no períneo. Outras dicas que posso dar é: escolha a posição que se sentir mais confortável pra parir. Deitada é a pior posição, pois exige muito mais força do que o normal. As posições verticalizadas são as mais indicadas (de cócoras, sentada no banquinho de parto ou nas pernas do marido), porque assim a gravidade ajuda o bebê a descer mais rápido. Só faça força quando sentir vontade de fazer, não quando mandarem fazer.

Exercícios de contração: Finja que está segurando xixi por alguns bons segundos, fechando o canal vaginal, e depois solte; repita isso 20 vezes ou mais; pode ser feito várias vezes ao dia. Você pode fazer na frente de um espelho para visualizar melhor, é fácil perceber pois a vagina e o ânus se aproximam.

Massagem no períneo: clique aqui

Amamentação

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Na amamentação, também existe uma assimetria que nos persegue: a dos seios. Ter um seio maior que o outro é comum em todas as mulheres, principalmente na adolescência; mas é no período de amamentação que isso preocupa. Se a mulher der mais um peito do que o outro, ou seja, não alternar as mamadas igualmente, pode sim ficar com um maior que o outro. Às vezes muito maior e acaba deixando as mulheres embaraçadas, descontentes e envergonhadas de seu próprio corpo.

Como evitar: sempre alterne as mamadas igualmente entre os dois seios. Se o bebê já está satisfeito com um peito só, não precisa obriga-lo a mamar o outro; mas ofereça o outro na próxima mamada.

Já estou assim e agora? Ofereça sempre o peito menor, mesmo que tenha menos leite. Se o outro doer, tire leite com a bombinha ou ordenha manual e poderá oferecer para o bebê depois, se estiver insatisfeito. Mas deixe o bebê estimular o peito menor. A Maísa do blog Eu Amo Amamentar relatou sua própria experiência da seguinte forma:

“O que eu comecei a fazer então foi o seguinte: continuei a amamentação nos dois peitos com a proporção diferenciada. A cada mamada no peito esquerdo seguiam-se 4 mamadas no peito direito. Após uma semana nada havia mudado ainda, mas minha intuição disse para continuar, que esse era mesmo o caminho. Após quinze dias comecei a notar alguma mudança, mas o peito esquerdo continuava ainda bem maior. Prossegui com o mesmo esquema, mantendo apenas 20% das mamadas no peito esquerdo. Após dois meses eles já estavam praticamente igualados.

Agora, com três meses nessa rotina, os peitos estão finalmente como eu queria. Mas como percebo ainda uma tendência no esquerdo em encher mais rápido, estou mantendo a proporção de mamadas de 1 para 2 em relação ao direito.” (Se quiser ler todo o texto, clique aqui)

Bebê

Plagiocefalia

As assimetrias que podem ocorrer nos bebês são nas orelhas e na cabeça. É isso aí, não é mentira quando diziam que tem que virar quando ele dorme senão a cabeça fica torta. Isso se chama plagiocefalia posicional. Apesar de não causar nenhum dano cerebral, ela pode ocasionar, além dos danos estéticos e quando muito acentuada, problemas com o fechamento da mandíbula, desalinhamento dos olhos e orelhas. Isto porque nos primeiros 6 meses de vida, o bebê ainda não tem os ossos cranianos totalmente fechados – é isso, inclusive, que facilita sua passagem na vagina no parto normal – e também possui as cartilagens muito frágeis. Portanto, a posição em que fica pode sim causar alterações na cabeça e nas orelhas. Meu filho mesmo dormia sempre de um lado só e por mais que virasse, ele sempre voltava pro mesmo lado. Hoje ele tem um lado mais amassadinho que o outro, nada muito escandaloso porque tentei bastante, mas podia ser muito pior. A orelha também: quem reparar bem pode ver que uma é mais “aberta” que a outra. Tive cuidado com isso, mas não tanto, pelo jeito!

Como evitar: Verifique sempre se o bebê está com as orelhas arrumadas quando for deitá-lo (é comum que se dobrem quando colocamos sem muita atenção ou quando se viram). Se estiverem dobradas, corrija sempre. E também é importante trocar o lado que o bebê dorme, ora deitado do lado direito, ora do lado esquerdo para não “amassar” a cabeça do bebê e assim deixá-la torta de um lado. Da mesma forma, não pode deixar que durma sempre de costas, porque ele fica com a cabeça achatada na parte de trás.

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