Coisas do puerpério e pós-parto

Fonte: http://glo.bo/1au2j2D
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Tudo nos vende uma imagem maravilhosa do puerpério (período após a chegada do bebê): mamães sorridentes, vida nova, novo ciclo, tudo lindo, família feliz… Mas, na vida real, ainda que considere todas as novidades apaixonantes, esse período costuma ser muito difícil. O puerpério é um período instável, principalmente para as mães de primeira viagem, como eu sou, que não sabem o que esperar do momento. Apesar de tudo que possam ter lido e ouvido a respeito, cada gravidez, cada bebê e cada mãe são únicos. O bebê nasce e nós ficamos ali, com ele nos braços, e só conseguimos nos perguntar: e agora? O que fazer e como fazer?

Eu tive muitas dicas do que fazer e o que não fazer e como fazer, o que comer e o que não comer, o que beber e o que não beber, mandingas e truques infinitos pra cuidar do bebê e de mim. Fui avisada de coisas que aconteceriam e que poderiam acontecer… e coisas que não aconteceriam “nunca mais”. São verdades convencionais, ou seja, acontecem regularmente e fica como um padrão. As pessoas repetem como mantras, somando ali os seus mitos, folclores, seus medos, o já-ouvi-de-alguém e etc. Não podemos desconsiderar, entretanto, que há exceções e não são poucas! Ou melhor, não são exceções justamente por isso, são só o outro lado, um outro jeito! É como o bebê que já dorme a noite toda desde que nasceu e o bebê que acorda a cada duas horas para mamar. Não somos máquinas que podem ser configuradas por um padrão; nem somos bolo pra ter receita pronta. Mas somos versáteis e podemos aprender com a experiência dos outros, compreendendo e refletindo como aquilo pode/deve ou não ser adaptado para o nosso caso.

Entretanto, vamos pro concreto! Algumas coisas comuns que acontecem com as mães no puerpério (e nem todo mundo te conta!) são:

1. Sangramento pós-parto (normal/natural)

É normal que o sangramento (lóquios) continue por até 40-45 dias após o parto. Ele vai diminuindo gradativamente e ficando cada vez mais ralo. No meu caso, foi quase um mês. Afinal, nosso corpo ainda está se “limpando”, arrumando a bagunça, voltando pro lugar e se recuperando do grande esforço que foi o parto. Se nesta altura verificar uma súbita e abundante perda de sangue, coágulos e um odor desagradável nos lóquios, assistência médica adequada deverá ser procurada.

2. Ressecamento Intestinal

A mulher que amamenta em livre demanda, principalmente nos primeiros seis meses de aleitamento exclusivo, geralmente fica com o intestino ressecado, porque a maioria dos nutrientes do corpo vão para o bebê. É importante beber muito líquido e ingerir muita vitamina nesses 6 primeiros meses para tentar ao máximo evitar isso e, caso aconteça apesar de tudo, não fazer força ainda que tenha dificuldade para evacuar. Forçar o canal pode causar ferimentos. Obs: deixar de amamentar não é a solução, só vai prejudicar o bebê e não vai solucionar o problema já existente.

3. Queda de cabelos

Mais uma vez, por causa do aleitamento, é normal que o cabelo caia em maior quantidade. Meu bebê tem um ano e isso não diminuiu até hoje, ele ainda mama. Obs: deixar de amamentar não é a solução, só vai prejudicar o bebê e não vai solucionar o problema já existente.

4. Falta de libido

É normal ficar sem vontade de fazer sexo. Nossa atenção está toda voltada para o bebê, ainda estamos vivenciando o êxtase ou o estresse do parto, nosso corpo está se recuperando e a nova rotina exige muito de nós. É preciso que o parceiro também esteja a par dessa nova conjuntura para poder compreender a situação e acompanhar a parceira nessa jornada.

 5. Montanha-russa emocional

Não se assuste, nosso corpo está cheio de hormônios enlouquecidos por causa do parto. Estamos sensíveis e a nova rotina pode ser exaustiva. As pessoas podem ser insuportáveis com seus muitos pitacos, com seus julgamentos, suas ordens e conselhos. Parece que todo mundo sabe mais do seu filho que você e quer se intrometer em tudo! Nessas horas, é importante saber a hora de dizer não, de ser grossa (sim, às vezes é preciso ser grossa!), estabelecer limites e o parceiro também tem que saber disso, se for o caso de ter um.

6. Queremos ajuda sim, obrigada!

Não queremos precisar, mas precisamos. Não é hora de querer ser a Mulher Maravilha, a menos que não tenha outra opção. Não podemos ter vergonha de pedir ajuda pra família e amigos quando precisamos, porque senão não aguentamos. Não é vergonhoso nem é abuso, se todos estão felizes com a chegada do novo membro e todos gostam de você, então devem entender que você precisa ser auxiliada nessa nova fase. Nem que seja olhando o bebê enquanto você descansa um pouquinho, entretendo pra você tomar banho ou aliviar os braços, para fazer as refeições em paz. Somos seres sociáveis, precisamos saber apoiar uns aos outros. Então, sem medo de ser pidona.

7Colostro e leite: seu leite não é fraco!

O leite de verdade leva de 3 a 5 dias pra descer, antes disso produzimos colostro. O colostro é mais ralo, mas importante para o bebê e sustenta sim. Tem gente que já vai sugerindo mamadeira, leite artificial, água, mingau e dez mil quilos de coisas diferentes para a mãe que “não tem leite” ou “tem leite fraco”, mas isso não existe. Pode acontecer de demorar mais pro leite descer, porque isso depende também do parto e da mulher: o hormônio que estimula a produção do leite é chamado de prolactina e pode ser facilmente afetado por muito estresse, daí a importância de ter apoio, principalmente em caso de cesárea, na qual a estimulação do hormônio é bem mais baixa. Tenha paciência e seja forte, se informe para não ser ludibriada pelos folclores das pessoas! Os peitos enchem e endurecem, empedram e isso dói muito. Faça massagens, use água quente e, se não tiver resolvendo, peça pro parceiro tirar um pouco também (é, chupar mesmo!). O leite materno ainda é o melhor e mais completo alimento e a Organização Mundial da Saúde recomenda aleitamento exclusivo até os 6 meses de vida e, depois, paralelamente à alimentação comum, até os dois anos, pelo menos.

8. Depressão pós-parto

As mulheres são bastante coagidas desde a gravidez, não podem “não querer” ou “não estar feliz” com a gravidez e fazem a mesma opressão conosco sobre a maternidade. Não podemos estar tristes, infelizes ou qualquer coisa do tipo quando temos um novo bebê. Somos obrigadas a estar felizes, satisfeitas e bem dispostas. Se não por nós, então por eles, ou seremos bruxas egoístas e malignas. Mas não é assim. A depressão pós-parto é uma realidade e, só no Brasil, cerca de 40% desenvolvem depressão sendo que 10% apresentam a sua forma mais severa. É um quadro ainda mais comum em caso de cesárea, já que não teve a liberação dos hormônios que o corpo geralmente expele no parto normal e que são responsáveis pela sensação de realização, felicidade, alegria, etc. A mãe perde a vontade de viver, fala de suicídio, agredir ou matar a criança, enfim, é muito punk. É mais comum manifestar em quem já tenha histórico de depressão anterior ou outros traumas. O importante é a mulher e o companheiro estarem bem informados, terem apoio intenso da família e procurar ajuda o mais rápido possível, pois existe tratamento.

9. Amamentar dói?

Não. É bom ver se o bebê tem a “pega” certa, por exemplo, este é um diferencial gigante que evita rachaduras, aquelas famosas que fazem o peito sangrar e muita mãe desistir de amamentar. Pegar só o bico do seio é errado, força muito e isso causa rachaduras. O bebê precisa pegar também a auréola do seio, essa manchinha em volta do bico, o mais que der. Insista, às vezes é preciso “ensinar” os bebês a pegarem corretamente. Mas os bicos do seio também não são todos iguais, alguns são pontudos e pra fora, outros voltados pra dentro, isso pode causar algum desconforto na mãe na hora de amamentar, mas dor aguda não é bom sinal! Se você sente dor, procure uma consultora de amamentação, ela te ajudará e orientará. Os: banho de sol nos seios (naquela hora amena, nada de ir banhar à luz do meio-dia haha) ajuda a evitar rachaduras, mas pode ir no topless MESMO, sem sutiã, sem camisa, só alegria.

10. Revezamento dos seios

É importante dar de mamar nos dois seios, revezando sempre entre um e outro. Isso é pra ser seguido, senão o peito fica SIM um maior que o outro, às vezes muito escandalosamente. É mais comum do que você pensa! Assim que o bebê mamar de um lado, dê também o outro. Se ele não quiser, não precisa insistir e empanturrar o bebê. Mas nunca, nunca, nunca caia naquela de amamentar de um lado só. Às vezes fazemos isso porque é o lado que dormimos ou porque é mais fácil segurá-lo, mas é cilada, Bino! Não vale a pena! Fica muito desigual e só volta ao “normal” depois que cessar a amamentação. Continuar usando sutiã também é importante para não dar motivos pra gravidade ajudar na flacidez, ok?!

11. Amamentar emagrece

Eu mesma estou quase voando quando bate um vento e meu filho já mama bem menos que antes agora que tem 1 ano. É mais complicado quando o caso é cesárea, porque a recuperação do corpo é mais lenta, ele está se recuperando de uma cirurgia, cicatrizando o corte das sete camadas de pele… Mas amamentar em livre demanda emagrece que é uma maravilha.

12. Menstruação sumiu!

Essa é a parte maravilhosa do pós-parto, hahaha! A menstruação some enquanto amamentamos, normalmente voltando entre o 5º ou 8º mês. No meu caso, voltou no 6º mês; no 7º tomei injeção anticoncepcional específica para lactantes e nunca mais menstruei. Não sinto saudades. OBS: isso não quer dizer que você não vá engravidar, viu? Depois de umas semanas, nossa produção hormonal volta ao normal e pode acontecer sim.

13. Dormir não é para os fracos, nem para a noite!

Algumas mães demoram a aprender, mas, principalmente nos três primeiros meses, precisamos aproveitar cada momento possível para dormir. Ainda mais se teu bebê não é do tipo que dorme a noite toda. Durma com ele a tarde, nas sonecas dele; isso será importante para seu corpo se manter saudável e você bem disposta, Nosso sono fica picado e não conseguimos descansar tudo que precisamos, então se deixarmos isso só para a noite estaremos nos fadando a ter uma mente cansada e predisposta à irritação, ao estresse, o que põe em risco também nossa relação com o bebê. Se não sobrar pro parceiro, sobra pra coitada da criança. Ou pros dois! E você sempre será prejudicada.

 Essas são algumas das coisas que consegui me lembrar por enquanto e se alguém tiver algo a acrescentar, pode comentar aí embaixo, tenho certeza que será muito útil para as mamães que estão lendo. Espero ter ajudado a sanar algumas dúvidas e ter conseguido mostrar que ninguém aqui é um bicho de sete cabeças, todos esses sintomas são comuns e acontecem com a maioria das mulheres. A informação é a chave para passarmos por essa fase linda e punk da nossa vida e, fique tranquila, só tende a melhorar conforme o bebê cresce (não, não é sarcasmo, é sério!). Lembre disso quando a força da peruca estiver acabando!

 Beijo!

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