Mães não são perfeitas

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A maternidade não é perfeita. Talvez seria mais próximo disso se simplesmente aceitássemos esse fato. Elanão tem que ser perfeita. A maternidadeapenas é. Existe. Naturalmente é.

Muitas vezes criticamos algo que nos foi feito enquanto filhos e dizemos “jamais farei isso”. E fazemos. E aprendemos o significado da palavra cansaço, paciência e amor. Aprendemos relativizar o sono. Aprendemos quanta coisa dá pra fazer em 24h. Aprendemos que a vida não é barzinho, balada e cinema e que isso nem é tão legal assim. A maternidade é isso mesmo.

É choro, é sono, é cansaço, é atenção, é se abster de si para se doar ao novo ser. E isso exige muito de nós. Mais do que aprendemos durante toda a vida. Muito mais! Por isso às vezes parece tão difícil, uma tarefa que está um nível acima para nos fazer evoluir. E evoluímos! Dia após dia.

Quantas vezes choramos com os filhos no colo? Engolimos o choro para não acordá-los? Quantas vezes, mesmo sem sono, preferimos esperar e adormecer do que sair e encarar o que quer que estivesse lá fora. Somando o cansaço, a exaustão, a vontade de que o dia acabasse, de não precisar dar atenção pra mais ninguém. A necessidade de receber atenção, principalmente. O relacionamento fica sempre mais difícil com filhos. Eles exigem tudo de nós e ficamos sem tempo algum para nos doar a nós próprias e a nossos companheiros e companheiras. Não raramente as relações vão se perdendo se não soubermos nos encontrar e aprendermos a encontrar o outro.

Sim, é preciso aprender a se reencontrar e encontrar o companheiro ou companheira. Reinventar a vida na sua nova roupagem. A nova configuração, com uma criança entre o casal. Uma vez li que o puerpério é difícil porque é a morte da antiga mulher e o nascimento de uma outra, a mulher mãe; e esse período de transição nos é tão difícil porque não nos reconhecemos, nos perdemos, perdemos nossa identidade. Vagamos procurando até nos reencontrar: outras mulheres, fortes, mães, com outra mentalidade e uma personalidade resignificada. Quando nos descobrimos, começa a fazer mais sentido.

Não se assuste nem se culpe! Não sinta peso na consciência. Isso é normal, é exatamente assim pra todas. Não tem que se sentir mal quando se questiona se não seria melhor de outro jeito, se não seria melhor em outros tempos, se não seria melhor não ser mãe, se você serve pra ser mãe, se está fazendo direito. Está sim. A dificuldade é a prova disso. Quem disse que ia ser fácil? A vida é boa, mas não é fácil. E a criança é uma nova vida na sua.

Mas podemos facilitá-la!

Podemos torna-la prazerosa!

Podemos aproveitá-la quando paramos de perseguir a perfeição, de lutar contra aquilo que é natural, de impor padrões impossíveis, de nos cobrar o que não podemos dar. Quando aceitamos que é assim e, portanto, precisamos aprender um jeito – nosso jeito! – de fazer disso algo bom, bonito, gostoso.

Quando entendemos que sim, crianças choram. Que crescer dói e elas crescem, e vai doer. Vai doer várias vezes. Que sim, elas vão adoecer várias vezes. Resfriados, gripes, diarreias, catapora, febres e mais febres. Que sim, é cansativo, precisamos dividir as tarefas. Que sim, é importante ter um tempo só seu. Se sentir bem, emocionalmente, fisicamente, psicologicamente. Que sim, é importante ter um tempo só do casal. Nunca será como antes, não só por conta da criança, mas porque a relação amadurece e não dá pra viver a vida de namoradinhos pra sempre. Nova vida, novo casal. E sim, se for preciso que a criança fique com outro alguém – um parente, um amigo – para que consigam isso, faça. É importante. Um casal saudável reflete a felicidade nos filhos. Um casal em conflito reflete conflito nos filhos. E o amor é o mais importante na base da família.

Achamos sempre que a fase está difícil e esperamos pela próxima: quando sentar melhora, quando andar melhora, quando falar melhora, quando entender melhora, quando, quando, quando, quando… Não precisa ser depois. Nunca será mais fácil, é a complexidade da vida. A vida é complexa, somos seres complexos. Cada fase tem seus benefícios e suas dificuldades específicas, aprendemos a nos relacionar com isso no momento em que passamos por tal. É um aprendizado contínuo e um crescimento gradual!

Mãe, você não precisa ser perfeita. Não aceite esse padrão injusto, não se cobre essa mentira! Não acredite em publicações do facebook, do instagram: nas redes sociais só existe perfeição! Nada ali é real, são apenas aparências. Quando passamos pro mundo físico, as imperfeições aparecem. Fora da tela somos o que somos.

Perfeição é um conceito ideal, não um conceito real. Só existe na ideia das pessoas e muitos se apropriam disso para lucrar às suas custas – a indústria de cosméticos, a de alimentos, a farmacêutica, os serviços. Seu amor basta, seu esforço é o que vale. Aceite a maternidade como algo de natural da vida, presente em toda a natureza e, como tal, com dificuldades e regozijos e verá que ela pode ser muito, muito, muito mais bela e fácil!

Ei, mãe, receba meu abraço! E vamos ser mães, imperfeitas e humanas juntas!

One thought on “Mães não são perfeitas

  1. Maravilhoso o seu texto!
    Trabalho como facilitadora de grupos de Energia Feminina, e nestes anos todos, um fato é único: a maternidade é o momento onde a verdadeira mulher acontece. E não é lindo, não! É penoso, duvidoso, inseguro, muitas vezes vergonhoso. Temos naquele momento a certeza de que não somos quem parecíamos ser e isto apavora.
    Textos como o seu, que dizem que “está tudo bem em não ser lindo” fazem tudo isso ser atravessado de uma forma mais humana, mais real e com compaixão.
    São as próprias mulheres que criam os mitos de perfeição que depois as aprisionam… “sejamos imperfeitas e humanas juntas” . Vamos criar um mundo mais confortável para todas…
    Gratidão!

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